26 de março de 2010

Solo

Faz um mês já...

São meus últimos 20 minutos de Mercosul. Agora dezenove. A Pitty ainda canta, o telefone toca, mas não sou eu que atendo. Tudo calmo, já terminei todo o meu serviço e desta vez é para sempre. Pelo menos aqui, neste local. 18 minutos agora. O relógio marca 11 horas e 32 minutos da manhã. “Na sua estante” vai chegando ao final e só dá pra ouvir o barulho da fita plástica na expedição entes de começar a tocar Offspring. Dezessete, o tempo passa. Em pouco tempo nada mais vai tocar, pelo menos não como eu sendo o dono da playlist. São os últimos sons que esta caixa de som irá reproduzir em minha presença. 16 minutos restantes. E eu começo a pensar se vou sentir falta de tudo isso. Há 9 meses atrás eu só estava me adaptando ao meu primeiro emprego e agora estou aqui, digitando isso no tempo livre que me resta. Quinze, só 15 minutos. Ninguém mais aparece com nenhuma nota. O telefone toca, alguém atende. Ventilador desligado. Incrivelmente, hoje foi um dia cinza após tantos dias de sol. Maná, “Si no te hubieras ido”. Depois dessa música, só mais duas mesmo. 14. Tudo já arrumado, papéis organizados, minhas coisas recolhidas. Uma dúvida... O que será que deixarei aqui? Qual é a parte de mim que ficará para trás, para sempre presa nesse local. Treze. Será que sentirão falta de mim? Do meu trabalho, de minhas brincadeiras e minhas palhaçadas? Por que só quem já trabalhou com chefes hilários sabe como funciona um firma onde se dá risada o dia inteiro. E se trabalha, claro. Um método didático. Alguém me chama, um dúvida simples no computador que eu resolvo, como que em ultimo serviço. Retorno. Só restam 9 minutos agora. Oito. Perdi o começo de Zeca Baleiro. Mas o som continua e alguém solta alguma piada característica. Risos. Talvez os últimos risos que eu ouça, pelo menos registrado como auxiliar de vendas na Mercosul Mercantil LTDA. 7 minutos. Só mais 7 minutos e tudo acaba. Vamos chegando ao fim. Seis. Alguém resolve que é hora de ir almoçar. Começa Dire Straits. O começo do fim. 5 minutos, os últimos cinco minuto. Quantas vezes eu não fiquei na linha do telefone esperando mais ou menos isso, cinco minutos? O que vem a seguir é a especulação mais real que eu poderia ter; depois que se passa quase um ano fazendo a mesa coisa é natural prever tudo de cor. Vou terminar de digitar e salvar o arquivo, restarão 3 minutos. Aí é só colocar o pen drive e transferir o ultimo texto que resta. Remover o pen e curtir os últimos 2 minutos... E essas são as últimas teclas que eu digito no teclado que me acompanhou no ultimo ano quase inteiro, e no começo deste. Alguns segundos, do minuto final. Alguém buzina, me chamam, o ultimo almoço com eles. E eu me despeço ao som de Sultans of Swing...
Não poderia faltar esse solo.
Poderia?!

Beijos e Piruetas,
G.

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